Publicado por: Alisson Villa | 23/08/2010

Pequena carta voando perdida pela rua

Paulo querido,

Não te amo mais. Isto é fato. Consumado e que me consome. Na verdade, não te amo mais com a pouca intensidade primeira. Beira agora o inconcebível. Te amo mais e mais e mais. Se antes, meu amor equilibrava-se na pontinha dos dedos, hoje ele nem mesmo roça o chão – amor passarinho fugindo do alçapão.

Não te amo mais nas vinte e quatro horas diárias. Criei novo tempo: 274 horas para a rotação; 6.287 dias para a translação. Agora meu amor tem o tempo necessário para percorrer cada encanto seu. Cada canto seu. Sinfonia da liberdade amorosa. À noite poesia, durante o dia prosa.

Não te amo mais quando avisto seu rosto. Eu amo é o que dele tem de gosto. Lamber seus olhos, lamber sua orelha, lamber sua boca é ver você mais nítido. Meus olhos cegos de amor, minha língua repleta do seu sabor.

Não te amo mais quando diz que me ama. Amo mais quando me toma na cama. Um amor que se joga solto, que colide, que arrebata e, por fim, acalma. Como se rasgasse a pele para, enfim, encontrar a alma.

Paulo, definitivamente, não te amo mais. E te amo sempre.

Da sua,

Clara


Respostas

  1. Grande, Walrus! Sem tempo pra atualizar o blog né, alisson? Mas grande blog! Tem email pra contato?


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