A tristeza nasce de um fino furo fosco que alguém planta no céu – eu sei porque já fui tristeza, já usei enxada e já fui réu. Montada em sua noite de beiradas frescas e silêncios úmidos, a tristeza procura o seu destino: um enfarto repentino; um amor sem espelho, a falha no conselho. E por mais rápidos que os passos passem pálidos, na fuga urgente para o dia, não adianta fingir, não somos poetas, não somos atores, pelo caminho nos desprendemos das cores.
Foto: Edu Moraes